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A cirurgia ortognática visa melhorar a relação oclusal e a simetria facial.

No entanto, com a realização desses procedimentos cirúrgicos, podem ocorrer alterações secundárias na projeção nasal e na relação angular do nariz com a face.

É importante ter em mente que as mudanças negativas previstas durante a fase de planejamento podem ser eliminadas, controladas ou minimizadas durante a cirurgia através de procedimentos secundários.

Atualmente, os softwares de planejamento permitem apenas uma idéia aproximada sobre como as alterações nos tecidos moles ocorrerão, mas não há precisão total, pois o algoritmo do software é, até hoje, incapaz de interpretar as diferentes qualidades dos tecidos moles, como as espessuras e proporções entre músculo, pele e gordura que variam completamente de paciente para paciente e que, por sua vez, também dependem de muitos fatores, como sexo, idade, qualidade do tecido.

Assim, os softwares fazem apenas uma previsão média que nos permite entender a direção das mudanças, mas não visualizar o resultado final real. Portanto, hoje é impossível mostrar ao paciente um resultado final antes da cirurgia.

Alterações produzidas de acordo com o tipo de cirurgia

No caso da cirurgia ortognática maxilar, alterando a posição da maxila, essa cirurgia causa alterações na aparência e na função nasal. Algumas dessas alterações podem ser positivas e tendo resultado estético positico para o paciente. As alterações mais frequentes dos tecidos moles associadas à cirurgia maxilar ocorrem na ponta nasal, no ângulo nasolabial, na largura da base alar, na altura do lábio superior, na posição e no ângulo nasofrontal.

Por outro lado, a cirurgia ortognática mandibular não altera diretamente a estrutura nasal, embora uma mudança relativa possa ocorrer devido à nova relação entre o queixo e o nariz, fazendo com que pareça maior ou menor comparando ambos.

De qualquer forma, as mudanças dependem da direção e extensão dos movimentos, geralmente os movimentos verticais produzem menos mudanças que as ântero-posteriores, e a magnitude dessas mudanças depende, é claro, da quantidade de movimento.

Há outras particularidades a serem consideradas, como é o caso de pacientes que apresentam excesso de crescimento vertical da maxila, onde geralmente encontramos nariz estreito, uma vez que a respiração é frequentemente feita pela boca. Nesses casos, um discreto alargamento do nariz pode ser benéfico para ajudar a função respiratória, podendo inclusive alcançar assim uma melhor harmonia facial.

Todas essas mudanças devem ser levadas em consideração durante o planejamento, para que durante a intervenção o cirurgião possa compensá-las e corrigí-las (ou tirar o máximo proveito delas, dependendo do caso).

Recorrência de alterações nasais

Em um estudo recente entre 40 pacientes operados em cirurgia ortognática, 37% disseram que o nariz estava melhor após a operação, 58% não notaram alterações no nariz e apenas dois pacientes (5%) acharam que o nariz estava pior do que antes da cirurgia .

Assim, embora a recorrência de alterações negativas seja muito baixa, qualquer paciente que queira se submeter a uma intervenção cirúrgica ortognática que inclua a maxila deve entender que é possível que haja alterações nasais que podem não ser do seu agrado, mas mesmo assim, nestes casos, essas alterações podem ser corrigidas com  rinoplastia posteriormente à cirurgia ortognática.

Nos casos em que o paciente, antes da cirurgia ortognática, estiver insatisfeito com o nariz, devido ao seu tamanho ou por apresentar algum grau de assimetria, também é possível realizar uma rinoplastia completa durante a intervenção, para garantir que o nariz esteja em harmonia com a nova face. Entretanto, isso precisa ser discutido com seu cirurgião para verificar se isso é possível, pois há indicações, limites e riscos associados para realização de ambos procedimento simultaneamente. 

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