Pular para o conteúdo principal


Há algumas décadas, os materiais de fixação para cirurgia ortognática eram fios, placas e parafusos feitos de aço e outras ligas metálicas. Atualmente, a fixação é feita com mini e micro-placas e parafusos de titânio.

O titânio é um metal maleável que possui a propriedade de ser biocompatível, isso que dizer que não causa reação de corpo-estranho no osso. Aliás, depois de algum tempo, as células ósseas aderem diretamente ao titânio, sem a ocorrência de uma camada de tecido fibroso entre eles, assim como ocorre nos implantes dentários, que também são feitos de titânio.

Há pacientes e mesmo profissionais que demonstram algumas preocupações sobre o titânio: As placas e parafusos ativarão o detector de metais no aeroporto? Eles afetam minha saúde ao longo do tempo? Deveriam ser removidos?

A resposta mais direta é: não necessariamente, entretanto há exceções. Após algum tempo, o titânio se integra com o osso de tal forma, que não existe a necessidade de remover a fixação, a menos que ocorra alguma condição negativa. As placas e parafusos não disparam alarmes no aeroporto e nem qualquer outro detector de metal.

A remoção das placas e parafusos de titânio é indicada quando há fratura das placas ou quando eles tornam-se expostos através da gengiva. Uma vez expostos, as placas e parafusos ficam sujeitos à contaminação e há risco de desenvolver infecção. A infecção pode apresentar-se com dor, abscesso intra-bucal, área de inflamação, exposição da placa e sinusite.

Idealmente, quando há indicação, o material de fixação deveria ser removido três meses após a cirurgia, quando o osso já está consolidado. É um procedimento simples, podendo ser realizado sob anestesia local, sedação endovenosa e/ou anestesia geral, conforme a localização de quantidade do material a ser removido. Com o passar do tempo, a remoção pode tornar-se mais difícil devido à integração da fixação ao osso. Essa é a razão que não se recomenda a remoção após mais de um ano da cirurgia, exceto naqueles que a remoção está indicada de fato.

Em cirurgia ortognática, apenas uma pequena porcentagem de pacientes necessita remoção de placas e parafusos, e mesmo nestes casos, é importante lembrar que a remoção do material de fixação não significa falha do tratamento, pois quando há infecção a fixação é removida após ao período de estabilização e consolidação óssea. É muito importante para os pacientes pararem de fumar, pois o tabagismo aumenta a probabilidade de infecção.

A remoção de placas e parafusos envolve riscos potenciais de complicações, inerentes à cirurgia. Portanto, a recomendação é que o material de fixação (osteossíntese) não seja removido a menos que exista indicação clínica.


Postagens mais visitadas deste blog

É normal sentir pressão no ouvido após a cirurgia ortognática? Nos dias após a cirurgia ortognática , alguns pacientes relatam desconforto na região próxima às articulações temporo-mandibulares (ATM), como: Dor na região da ouvido - não é realmente sobre o ouvido em si, mas sobre a articulação temporomandibular, localizada logo a frente. Sensação de 'ter água' dentro do ouvido Sensação de ouvido entupido Autofonia (a audição anormalmente alta da própria voz de uma pessoa) Perda auditiva leve Apesar de incômodos, é importante saber que essas sensações são normais e tendem a desaparecer com o tempo após a cirurgia. Além disso, deve-se ressaltar que esses sintomas não se traduzem em alteração do limiar auditivo dos pacientes. Quanto às causas, esse fenômeno ocorre mais frequentemente em cirurgias que envolvem o avanço da maxila , pois nesse tipo de cirurgia o conduto auditivo sofre um estiramento e, portanto, não ventila adequadamente durante um curto período de adaptação, durante...
Anestesia Geral Falar a respeito de anestesia geral é, para muitos pacientes, um tabu, seja por medo, experiências anteriores, opinião de familiares ou de redes sociais. Todo paciente manifesta receio e resistência quando ouve que existe a opção ou a mera possibilidade de ser submetido à cirurgia sob anestesia geral . O que vem na sua cabeça quando pensa em anestesia geral? Humm... Pois é, a pessoa fica logo pensando diversas coisas ruins, porém esquece das milhares de anestesias realizadas todos os dias de forma segura e eficiente, e também esquece de considerar todo o conforto e segurança que ela proporciona aos pacientes. Abaixo você encontra as principais dúvidas e respostas sobre a anestesia. Caso tenha outras dúvidas, anote e converse com o Anestesiologista durante sua consulta pré-anestésica . É importante você ir para sua cirurgia sem dúvidas e em segurança. O que é avaliação pré-anestésica? Avaliação pré-anestésica é a consulta com o Anestesiologista antes da sua cirurgia, ...
Um número significativo de pacientes, que pretendem fazer tratamento com implantes dentários , apresenta disponibilidade óssea insuficiente para permitir a instalação do implante. Uma solução é coletar o osso do paciente de um local diferente daquele da cirurgia ( enxerto autógeno ) e colocar na área para aumentar a quantidade e qualidade do osso. Ainda hoje, esse é um dos procedimentos mais usados. No entanto, consome tempo, é sensível à técnica e requer treinamento extra. Além disso, como é necessário acesso cirúrgico em outra área da boca para coletar o enxerto, às vezes há resistência do paciente ao procedimento. Curiosamente, a disponibilidade de diferentes biomateriais de diferentes origens aumentou a aceitação de tratamentos cirúrgicos avançados anteriormente recusados. A limitação da quantidade de osso disponível no local doador também foi superada, uma vez que os biomateriais são virtualmente ilimitados. Os materiais foram submetidos a inúmeros estudos em animais e humanos q...