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Recidiva em Cirurgia Ortognática

A recidiva é um medo comumente expresso por pacientes que se submetem a qualquer cirurgia. No caso da cirurgia ortognática, existem basicamente dois tipos:


1- Recidiva dentária, quando há alteração na posição dos dentes após a cirurgia — esse tipo de recidiva é o mais comum.

2- Recidiva esquelética, quando há alteração da posição dos ossos - este tipo de recidiva é excepcional e, caso ocorra, costuma ser muito pequena para ser considerada funcional ou esteticamente relevante (entre 1 a 3mm)


A recidiva dentária é facilmente tratável com o tratamento ortodôntico. A recidiva esquelética ocorre devido à remodelação dos ossos devido às tensões musculares que atuam sobre eles. Se isso acontecer nas primeiras semanas após a cirurgia (quando os ossos ainda não 'soldaram' em sua nova posição), está indicada a cirurgia de revisão.


Existem também causas externas de recidiva, como deslocamento das placas por trauma, e causas inerentes ao paciente, como má capacidade de cicatrização, fragilidade óssea ou distúrbios da ATM, que causam maior grau de instabilidade oclusal nos pacientes.


Também é importante ter em mente que o correto planejamento e execução da cirurgia produzem resultados mais estáveis ao longo do tempo:


  • Se a cirurgia for feita em pacientes muito jovens ainda em processo de desenvolvimento, o crescimento afetará a posição final da estrutura óssea. Os adultos também apresentam alterações na estrutura craniana, mas em geral essas alterações são simétricas, ao contrário das alterações decorrentes do crescimento.
  • Se o paciente não estiver em uma relação oclusal correta no momento da tomada dos modelos ou escaneamento ou planejamento, os resultados podem não ser estáveis, então a mordida deve ser feita com cuidado e confirmada várias vezes para garantir que ambos os côndilos do paciente estejam no lugar. acomodados em suas respectivas fossas condilares.
  • Se não houver um correto preparo ortodôntico pré-operatório* ou não for seguido o tratamento ortodôntico pós-cirúrgico, é muito provável que os resultados sejam instáveis. * (exceto em pacientes candidatos à Surgery First)


Por fim, deve-se considerar também que existem movimentos ósseos mais propensos à recorrência, como a cirurgia ortognática para o tratamento da mordida aberta. A recidiva nestes casos deve-se principalmente à tração exercida pela língua, pelo que nestes casos é necessária uma correta reeducação deste músculo por parte de um fonoaudiólogo, antes e após a cirurgia.


É importante ter em mente que após de um ano, as alterações esqueléticas estão apenas indiretamente relacionadas à cirurgia, pois foi demonstrado que as alterações esqueléticas existem mesmo em pacientes que não foram submetidos à cirurgia ortognática, apenas em menor grau. Essas mudanças podem ser o resultado da remodelação óssea adaptativa, uma retomada do crescimento ou mudanças adaptativas na dentição.


Em resumo, a cirurgia ortognática em geral tem demonstrado alcançar resultados estáveis e clinicamente satisfatórios a longo prazo na grande maioria dos pacientes.


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